terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Avaliação de Sociologia (Primeiro Bimestre - Terceiro Ano)



Confira a correção da Avaliação de Sociologia do Primeiro bimestre
 Terceiro ano

 

1. (UNESP) No mundo atual têm ocorrido grandes transformações socioeconômicas atribuídas ao processo de globalização.
Cite dois aspectos positivos e dois negativos da atual globalização.



resposta:
 

Aspectos positivos: desenvolvimento dos meios de comunicação, avanço da tecnologia, formação grandes blocos econômicos, entre outros;
Aspectos negativos: exclusão social, desemprego, disparidades econômicas, entre outros.




2. (CNDL) Com base em seus conhecimentos, apresente cinco características do atual  processo de globalização econômica e cultural.


resposta:

As formações de blocos econômicos facilitam a circulação de mercadorias, proporcionando maiores mercados consumidores e investimentos de capital financeiro numa escala global.

O avanço tecnológico está presente em vários setores da economia, seja através dos meios de comunicação e até na mecanização das atividades agrícolas. Os países desenvolvidos se destacam nesse processo em virtude de maiores investimentos em tecnologia.

A globalização é de fundamental importância para a atuação das empresas transnacionais, pois proporciona todo o aparato tecnológico para os serviços de telecomunicação, transporte, investimentos, entre outros, fatores essenciais para realização eficaz das atividades econômicas em escala planetária.




3. (UFU-adaptada) Explique o trecho:
“A chamada globalização dos mercados é apresentada teoricamente pelo pensamento burguês como uma evidência correspondente a fenômenos profícuos e completamente inéditos que a humanidade estaria a conhecer”.

Leia as citações abaixo para responder as questões 4 e 5.
As imagens chocantes feitas por celular dos instantes finais da morte da estudante de Filosofia e música Neda Soltani, 27, durante um protesto no sábado (20), na cidade de Teerã, ganharam o mundo através das redes sociais (originalmente o Facebook) e repercutiram nos quatro cantos do planeta.
Disponível em:  http://www.observatoriojovem.org/materia/interface-da-juventude-iraniana.

Segundo Helena Abramo (2001), o “cruzamento dos eixos do lazer e da cultura é de fato um dos mais importantes para os jovens porque nele são construídos espaços fundamentais de sociabilidade, de  elaboração de identidades individuais e coletivas, nele são processados elementos centrais para a construção de referências e para a formulação e eleição de valores e posturas de vida, processos centrais dessa fase de vida.
Juventude e cultura.
Disponível em http://www.mineiroptnatal.bio.br/frameset.htm.



4) Apresente três características da alteração que a internet representou na produção das formas de sociabilidade contemporâneas.



 resposta:


Exige-se que o candidato apresente 3 (três) dentre as características abaixo:
São entendidas como possíveis características:
- Redefinição da relação tempo-espaço;
- Maior agilidade da informação;
- Ampliação do contato, novas relações e interações entre indivíduos de diferentes culturas, segmentos sociais, realidades e contextos;
- Maior alcance e visibilidade das formas sociais e eventos locais;
- Fragilização das relações presenciais, Possibilidade do isolamento ou autoisolamento do indivíduo; Maior propensão ao estabelecimento de contatos mais efêmeros e fortuitos;
- Elaboração de uma forma de escrita particular  – grafia mais fonética, potencialidade fonética da comunicação oral manifestada na comunicação escrita;
- Formulação de formas de comunicação com lógica própria como os chats, o MSN entre outros; Uso intensivo de interface visual;
- Composição de textos coletivos e abertos (Wikipédia, por exemplo)
- O computador como um mediador dos contatos e do estabelecimento de interações.
- Ampliação do espaço de imaginação, de criatividade, de anonimato e de identidades;
- Sociabilidade: Ênfase na criação de redes sociais; Desterritorialização da sociabilidade
- Novas formas de lazer e de trabalho











5) Explique o impacto social da abolição relativa das fronteiras físicas que a internet possibilitou.




resposta:
 

Nesta questão deverão ser explicadas duas dimensões fundamentais em que se registram tais impactos, a saber: a dimensão espaço-temporal e a dimensão dos valores e comportamentos. Desse modo, a resposta deve conter a reflexão de que com a abolição parcial das fronteiras físicas em termos de comunicação – levando-se em consideração  o impacto da diferença lingüística e das possibilidades de acesso à rede de forma diferenciada para os distintos segmentos sociais – são percebidas as transformações na esfera das relações face a face com o significativo aumento da interação à distância, virtual e da possibilidade de múltiplos pertencimentos sociais e identitários. Na mesma medida, valores tradicionais são solapados, substituídos por  novos e acompanhados pela emergência de um tipo exacerbado de individualismo, assim como a possibilidade de uma nova forma de exclusão social: a digital/ “analfabetismo digital’.




(UFU) O processo de globalização acarreta, dentre outros aspectos, um novo ciclo de expansão do capitalismo associado a um novo modo de acumulação também conhecido como modo de acumulação flexível.
6) Identifique as principais características deste novo modo de acumulação.


resposta:
 

O aluno deverá apresentar 4 (quatro) dentre as características abaixo:
As principais características do modo de acumulação flexível são:
- Ampla utilização de novas tecnologias, especialmente voltadas para a automação e robótica;
- Flexibilização (mercado, produção, consumo, direitos)
- Polivalência
- Contratação de empresas pequenas ou subsidiárias pelas grandes empresas ou empresas centrais - terceirização de partes da produção e do trabalho
- Produção enxuta/produção por demanda e estoque mínimo - Just-in-time
- Adaptação ao mercado consumidor instável e muito diversificado
- Transnacionalização do capital/ financerização do capital
- Nova divisão internacional do trabalho
- Expansão do setor de serviço
- Aumento da extração de mais valia/ aumento do lucro






7) Apresente suas consequências no que diz respeito à organização da produção e às relações de trabalho.



resposta:
 

Exige-se que o aluno apresente 4 (quatro) dentre as conseqüências abaixo
As principais conseqüências para a organização da produção e relações de trabalho são:
- Substituição e concorrência  com a produção fordista, exigindo a adaptação objetiva e subjetiva dos trabalhadores.
- Exigência de polivalência, participação e envolvimento/ adaptabilidade
- Formas variáveis e flexíveis de remuneração.
- Perda/flexibilização da estabilidade e de direitos trabalhistas
- Precarização do trabalho
- Novas ferramentas de gestão visando intensificação do trabalho e aumento da produtividade Automação, subemprego/informalidade e desemprego estrutural
- Fragmentação dos trabalhadores e enfraquecimento da organização sindical
- Empresa enxuta e subcontratação de força de trabalho




8. (UFPR) “Quando um punhado de homens não tem emprego e não procura trabalho, buscamos as causas em suas situações imediatas e no seu caráter. Mas quando (...) milhões de homens estão desempregados, não podemos acreditar que  todos eles subitamente ficaram preguiçosos e deixaram de ‘ser bons’.”
(MILLS, C. W. A Sociedade de Massas. In: FORACHI, M. M.; MARTINS, J. S.Sociologia e Sociedade: Leituras de Introdução à Sociologia. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1977. p. 323.)
As mudanças no mercado de trabalho na Europa e nos Estados Unidos têm aumentado o desemprego dos trabalhadores. Na Espanha, em torno de 20% da população está desempregada. Como se pode explicar sociologicamente que países ricos tenham chegado a  essa situação de falta de oportunidades de trabalho para tantos trabalhadores?




resposta:


As mudanças no mercado de trabalho na Europa se devem: à crise econômica do capitalismo; ao crescimento do grupo  de países identificados como BRICS; aos efeitos do neo-liberalismo, como a crise do Estado de Bem Estar Social e as novas  realidades do trabalho; às novas tecnologias; à reestruturação produtiva e às mudanças na legislação trabalhista.


 
9. (UFPR) “A participação em realidades virtuais, através de jogos eletrônicos, conversações  on-line, comunidades virtuais, são modalidades e partes da cibercultura, cujos processos são interativos e permitem a integração potencial de texto, imagem e som no mesmo sistema. Interagindo a partir de pontos múltiplos em rede global, tais processos têm mudado o caráter da comunicação e esta tem moldado a cultura.”
(ARAÚJO, S. M. de; BRIDI, M. A.; MOTIM, B. L. Sociologia. Um Olhar Crítico. São Paulo: Contexto, 2009. p. 123.)

Aponte e justifique três aspectos pelos quais a Internet mudou a vida cotidiana das pessoas.



resposta:


Mudanças ocasionadas pela internet:
- No trabalho: fronteiras tênues entre o tempo de trabalho e o não trabalho, jornadas de trabalho estendidas.
- Nas relações pessoais: novas formas de contato e de interação social mediadas pela internet.
- No lazer, informação e comunicação: redefinição de suas formas e fontes.





10. (Unicamp) Faz cerca de vinte anos que “globalização” se tornou uma palavra-chave para a organização de nossos pensamentos no que respeita ao funcionamento do mundo. A palavra “globalização” entrou recentemente em nossos discursos e, mesmo entre muitos “progressistas” e “esquerdistas” do mundo capitalista avançado, palavras mais carregadas politicamente passaram a ter um papel secundário diante de “globalização”. A globalização pode ser vista como um processo, uma condição ou um tipo específico de projeto político.
(Adaptado de David Harvey, Espaços de Esperança. São Paulo: Edições Loyola, 2006, p. 79.)


a) Identifique uma característica política e uma cultural do processo de globalização.

b) Quais as principais críticas econômicas dos movimentos antiglobalização?


resposta:


a) No plano político, a globalização do modelo liberal democrático do Estado a partir das nações ocidentais  tem gerado conflitos com outras formas de organização das relações de poder, que resistem às imposições  das potências econômicas e militares.
No plano cultural, a padronização das produções da chamada indústria cultural aponta para a homogeneização das mensagens de mídia no interesse de classes hegemônicas ou setores sociais a elas vinculados.
b) Os movimentos sociais que se têm manifestado no sentido da antiglobalização baseiam-se no acirramento  das desigualdades sociais a partir do aumento do desemprego e da desvalorização do trabalho. Denunciam  também as agressões ao meio ambiente e a degradação das condições de trabalho e moradia, sobretudo  nos grandes centros urbanos.


 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

A inveja no Facebook



A rede da inveja

Uma surpresa revelada por pesquisas científicas: para muita gente, o Facebook é uma fonte permanente de frustração e angústia

                                                                                       Filipe Vilicic

 

No clássico A Conquista da Felicidade, de 1930, o filósofo britânico Bertrand Russell definiu um sentimento devastador: "De todas as características da natureza humana, a inveja é a mais desafortunada. O invejoso não só deseja a desgraça, como é rendido à infelicidade". Russell entendia a inveja como uma emoção universal, que hora ou outra desperta em qualquer um. Morto em 1970, ele não se surpreenderia - pelo contrário, provavelmente acharia natural - com o fato de a intemet, o meio de comunicação global que define nosso tempo, ser agora uma ferramenta a instigar esse sentimento angustiante. Não é difícil entender por que é assim. Só é possível invejar aquilo que se vê ou conhece, e a web multiplicou o que se pode saber sobre a vida alheia. Um estudo realizado pela Universidade Humboldt em conjunto com a Universidade Técnica de Darmstadt, ambas na Alemanha, publicado na semana passada, é a primeira tentativa de medir cientificamente a intensidade dessa emoção na intemet. A conclusão é espantosa: uma em cada cinco pessoas ouvidas na pesquisa aponta o Facebook como a origem de sua experiência de inveja. Um bilhão de pessoas, um sétimo da população mundial, participam dessa rede social. O que fazem nela, basicamente, é colocar fotos, contar detalhes pessoais ou simplesmente fofocar. Sabe-se, pelas pesquisas, que parte considerável desses usuários mantém uma atitude passiva no Facebook. Apesar de passarem muito tempo on-line, limitam-se a seguir o que é postado por amigos que parecem ser mais felizes e saber aproveitar melhor a vida. Nesse cenário, eles se sentem solitários, excluídos do ciclo de atividade, felicidade e camaradagem on-line das outras pessoas. É nesse caldo de cultura que nasce a gama de emoções angustiantes dissecadas pelos pesquisadores alemães.



O levantamento, feito com 584 usuários assíduos do Facebook, constatou que um em cada três deles se declara frustrado e triste imediatamente após se desconectar da rede. Para três em cada dez, o principal motivo do desgosto é a sensação de que os amigos on-line levam uma vida melhor que a sua. No ranking elaborado pelo estudo, a inveja é o sentimento mais frequentemente associado à frustração no Facebook. Em segundo lugar, atingindo 19% dos entrevistados, vem a sensação de que suas publicações não recebem atenção. Em seguida, com 10%, está a solidão. Os cientistas alemães descreveram a emoção mais frequente, a inveja, como "uma desagradável mistura de sentimentos por vezes doloridos, causados pela comparação com uma pessoa ou um grupo que possui algo que queremos". Explica a VEJA Hanna Krasnova, autora da pesquisa: "No Facebook, compartilham-se 30 bilhões de mensagens todos os meses, e esse ambiente serve como vitrine para o narcisismo e a supervalorização de conquistas pessoais. É natural que, ao percorrerem esse amontoado de informações, as pessoas se comparem aos outros". O foco de Hanna é o estudo de sistemas de informação, um campo relativamente novo da ciência da computação.



Os pesquisadores puderam listar o tipo de publicação que mais instiga sentimentos negativos. Em primeiro lugar figuram comentários e fotos de viagens e de momentos de lazer. Ao ver as imagens do turismo alegre do amigo, o solitário que navega pela web sem nunca arredar o pé da própria casa é tomado por um sentimento de inferioridade. Em segundo lugar está a percepção de que os posts dos amigos alcançam grande repercussão. Em terceiro vem o paradoXal sentimento de tristeza diante da felicidade alheia. Aos 21 anos, a paulistana Camila de Freitas está na faixa de idade dos participantes do estudo alemão e passa o dia conferindo atualizações no Facebook. Recentemente, ela teve uma desagradável surpresa na rede social. "Senti uma raiva imensa quando deparei com fotos de meu ex-namorado beijando uma menina que se dizia minha melhor amiga. Para piorar, os retratos eram de uma viagem a Miami, cidade que sonhava em visitar com ele quando estávamos juntos."



A infelicidade virtual nasce, muitas vezes, de uma percepção exagerada da felicidade alheia e da própria infelicidade. "Os usuários do Facebook tendem a selecionar e exibir na rede apenas o melhor de sua vida", diz Hanna Krasnova. "Quem se sente inferiorizado não percebe que o que vê não é a vida real do outro e, sim, apenas uma versão editada de seus melhores momentos." No ano passado, período em que estudou moda em Milão, a pemambucana Laíse Nogueira, de 24 anos, postava fotos nas quais aparecia sorridente ao lado de colegas. "Só que o sorriso não refletia minha real situação", conta Laíse. "Estava triste e me sentia solitária vendo as fotos de meus amigos se divertindo no Brasil." Os amigos brasileiros, que não sabiam disso, invejavam sua vida na Itália. É o caso típico de o gramado do vizinho ser mais verde.



Apesar de ser estigmatizada como um dos sete pecados mortais, a inveja não é um sentimento absolutamente perverso. Ao contrário, desejar o que já foi alcançado por outra pessoa pode servir de incentivo para melhorar a própria vida. Mas também pode ser o inferno em vida, pois fomenta o rancor e a angústia. Um estudo do Instituto Nacional de Ciência Radiológica, no Japão, revelou que a área do cérebro ativada pela inveja é também responsável por processar sensações como a dor física. O alemão Christian Maier, da Universidade de Bamberg, que estuda a irritação sentida por usuários em redes sociais, disse a VEJA que "a tensão causada pela necessidade de se adaptar às regras de um novo mundo transformou o Facebook numa fonte de stress". No caso da inveja, forma-se um ciclo vicioso. Muitos solitários recorrem ao Facebook, permanecem muito tempo on-line, mas interagem pouco com os amigos virtuais. O que veem na rede social são pessoas em festas e viagens. Isso faz com que se sintam ainda mais excluídos. A frustração os deixa desmotivados a sair de casa e os prende ainda mais ao Facebook. É o ciclo da rede de inveja.



O QUE PROVOCA MAUS SENTIMENTOS



Uma pesquisa mostrou as situações que mais despertam a inveja entre os usuários do Facebook. Abaixo, os tipos de publicação - como mensagens fotos que mais instigam a emoção



1º Viagens e momentos de lazer 56%



Uma foto diante do Coliseu ou um comentário sobre bons momentos passados em Paris atraem o olho gordo



2º A fama virtual 14%



Alguém com poucos amigos pode se incomodar com publicações alheias que repercutem na web. Ou seja, recebem mais "curtidas" e comentários



3º Felicidade alheia 87%



Muitas pessoas se mordem quando veem amigos sorrindo em fotos ou recebendo muitas mensagens de "parabéns" no dia do aniversário



4º O sucesso



Quem é bem-sucedido na carreira, nos estudos ou em esportes pode provocar a sensação de fracasso em outras pessoas



5º Sorte no amor 4%



Mudar o status no perfil do Facebook de "solteiro" para "em um relacionamento sério" e publicar fotos com cônjuge e filhos



Fonte: estudo Envy on Facebook (Inveja no Facebook), das universidades Humboldt e Técnica de Darmstadt



Quem é o rancoroso on-line



Ele raramente publica em redes sociais - restringe-se a observar a vida alheia - e se morde com a felicidade de pessoas do mesmo sexo e com idade similar. As mulheres se irritam com a beleza das amigas virtuais



JÁ NO MUNDO OFF-LINE



Os três principais motivos de inveja são as conversas sobre viagens, o sucesso profissional e a exibição de talento.



COM REPORTAGEM DE CAROLINA MELO E RENATA LUCCHESI.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Invenção do contemporâneo



 Tempo antropológico e mito fundador




A educação pode mudar o mundo

"Burro carrega a carga sem sentir!"

Pense nisso

Pio Penna comenta sobre a visita da blogueira cubana ao Brasil



Yoani Sánchez no Brasil

                                                                                  Pio Penna Filho

           A mundialmente famosa blogueira cubana Yoani Sánchez deve estar se surpreendendo com sua visita ao Brasil. Hostilizada por muitos manifestantes desde a sua chegada, que incluiu a entrega prévia, por parte de diplomata cubano, de um dossiê sobre a sua vida e atividades políticas a funcionário do Palácio do Planalto, essa corajosa cubana certamente sairá do Brasil com impressões um tanto contraditórias.

Yoani fazendo sua cabeça por Ivan 580x379 PT espreme Yoani            

        No Brasil, de um lado, há um sentimento geral de solidariedade à sua luta por mais liberdade e democracia em Cuba. Por outro, há o sentimento contrário, expresso por grupos ideológicos e correntes políticas que, embora sejam minoria, são bem organizados e conseguem fazer repercutir em grande escala a sua ira contra aquela que consideram ser “vendida” aos interesses norte-americanos e capitalistas.
           Yoani Sánchez ganhou reconhecimento internacional e vários prêmios por ser considerada uma destemida defensora da liberdade de expressão e dos direitos humanos. A repercussão do seu trabalho é ampla, assim como o é o reconhecimento internacional que obteve ao longo dos últimos anos, sobretudo após o lançamento do seu blog “Generación Y”, ocorrido em 2007.
           Sánchez iniciou uma árdua luta por liberdade de expressão num país marcado pela longeva ditadura dos Castro. Apesar do regime cubano ter sinalizado que seguiria na direção de maior liberdade e aprofundamento das reformas políticas, o controle da sociedade pelo Estado ainda é muito forte na Ilha e uma das provas mais contundentes foi a dificuldade da blogueira em conseguir autorização do regime para viajar ao exterior.
             Seria até muito interessante se pudéssemos observar qual seria o comportamento dos críticos radicais a Yoani Sánchez se eles vivessem num país em que a liberdade de expressão é “vigiada e controlada” de perto pelos agentes do Estado.
           Há muita dificuldade em se entender que o objetivo de Sánchez não é exatamente derrubar o regime de Fidel/Raul Castro, a não ser que se acredite que maior abertura política e liberdade de expressão sejam incompatíveis com o regime. Se assim o for, de fato o governo cubano está diante de uma perigosa “subversiva”.
      Mas curioso mesmo é observar como alguns países que se consideram democracias plenas tem tratado a militante cubana. No Brasil, como dito anteriormente, um funcionário do Palácio do Planalto recebeu um dossiê do governo cubano, como se isso fosse algo normal. A Argentina de Cristina Kirchner colocou tantas dificuldades para que Yoani conseguisse o visto que ela desistiu de obtê-lo enquanto estava em Cuba (aparentemente ela conseguirá o visto aqui no Brasil).
        Muitos governantes “democratas” precisam aprender a conviver com os “incômodos” da democracia, ou seja, a diversidade de opinião, a liberdade de expressão e o respeito ao pensamento alheio. Pelo visto, em muitos países latino-americanos ainda estamos longe desse ideal.


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Professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Pobreza: nosso estado natural



Pobreza: nosso estado natural




Entenda o que é pobreza e qual a melhor forma de sair dela com essa fantástica animação do Population Institute.

Transcrição e tradução de Matheus Pacini.
Revisão e sincronização de Juliano Torres.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Os cuidados com a intimidade



Os cuidados com a intimidade – Renato Janine


Ao longo dos últimos anos a vida social foi-se tornando cara, penosa. Viver em conjunto já deu prazer, mas atualmente pesa. Isso se agrava quando a crise se torna norma em vez de exceção. Como salvar a vida social? Como preservar a vida pessoal, como ponto rico de apoio à intimidade?



Veja a edição do programa de tv.


Bomba Atômica coreana



Mais uma Bomba Atômica


                                                                                   Pio Penna Filho



O regime norte-coreano detonou mais um artefato nuclear, despertando preocupação em vários países do mundo, sobretudo nos Estados Unidos, na Coreia do Sul e no Japão. Segundo consta, esse foi o terceiro teste nuclear da República Democrática Popular da Coreia do Norte, pomposo nome oficial do país.
Com essa atitude os norte-coreanos desafiam novamente os Estados Unidos e o regime internacional de não-proliferação nuclear. É uma prova contundente que o governo da Coreia do Norte não aceita as regras de não-proliferação e segue bem ativo com o seu programa nuclear, devidamente complementado pelo desenvolvimento de foguetes com capacidade para transportar ogivas nucleares.
O programa nuclear da Coreia do Norte é visto por muitos como uma ameaça à segurança regional e internacional e o país vem experimentando, já há alguns anos, sanções econômicas e comerciais impostas pelas Nações Unidas e também pelos Estados Unidos (os norte-americanos aplicam sanções extras, de acordo com sua própria política externa).
Mas, aparentemente, o único grande efeito das sanções internacionais contra o regime norte-coreano recai sobre a população do país, ou seja, elas estão se mostrando ineficazes para fazer o governo mudar a sua política nuclear.
Se observarmos com mais atenção a geopolítica asiática, torna-se até compreensível a busca do governo norte-coreano para desenvolver uma capacidade nuclear dissuasória. Na Ásia existem 4 potências nucleares (China, Índia, Paquistão e Rússia), sem contar a forte presença militar norte-americana na Coreia do Sul e o destacado apoio concedido por Washington ao Japão e a Taiwan.
Aliás, vale lembrar que tecnicamente a Coreia do Norte ainda está em guerra com a Coreia do Sul e que os Estados Unidos são vistos a partir de Pyongyang como o grande inimigo da nação. É possível, inclusive, traçar um paralelo entre as divergências que envolvem as relações entre os Estados Unidos e o Irã e os Estados Unidos e a Coreia do Norte embora, naturalmente, existam diferenças.
Não é possível, e não será possível conter a proliferação nuclear se as grandes potências nucleares (Estados Unidos, Rússia, França, Inglaterra e China, principalmente) não se engajarem num programa sincero de banimento ou redução de seus exagerados estoques de armas de destruição em massa.
Um mundo sem armas nucleares não significa, necessariamente, um mundo sem guerras. Entretanto, a existência e o monopólio por um pequeno grupo de países desse tipo de armas é fonte de instabilidade permanente. Isso é ainda mais visível em contextos regionais, quando um país se sente constrangido pela existência de uma potência nuclear vizinha ou pela pressão exercida pelos interesses de uma grande potência.
Muito dificilmente a Coreia do Norte abrirá mão do seu programa nuclear, a não ser que o regime caia ou que ocorra a reunificação com a Coreia do Sul, dois cenários aparentemente improváveis no curto prazo. Consolida-se, assim, gradativamente, a Coreia do Norte como o nono país a possuir as terríveis armas nucleares.

EUA IRã e Coreia do Norte por Arcadio 426x420 Corrida nuclear 



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Professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Desenvolvimento sustentável uma utopia - José Eli da Veiga



Café filosófico 

Desenvolvimento sustentável uma utopia - José Eli da Veiga








O economista José Eli da Veiga faz um histórico da utilização da expressão desenvolvimento sustentável. Primeiro ele esclarece os significados que cada uma dessas palavras têm e em seguida, sempre de um ponto de vista das ciências econômicas, ele apresenta os desdobramentos do conceito de desenvolvimento sustentável. José Eli da Veiga é professor titular do Departamento de Economia da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade), onde coordena o Núcleo de Socioeconomia Ambiental.

 

Café Filosófico - A família no cinema





Café Filosófico - A família no cinema







Desde a consolidação do modelo narrativo clássico, nas primeiras décadas do século 20, a ficção no cinema se ocupa de representações da família que funcionam como projeções sociais de valores desejáveis ou reprováveis, gerando padrões de comportamento a serem seguidos ou condenados. Nas últimas duas ou três décadas, essas representações possibilitam compreender como a indústria do divertimento voltada para o consumo de massas procura se manter conectada às transformações no conceito de família vividas, sobretudo, pelas sociedades norte-americana e europeia.