quinta-feira, 28 de junho de 2012

Pio Penna Filho comenta


A Queda de Fernando Lugo

Pio Penna Filho*

O impedimento do presidente Fernando Lugo, ocorrido no dia 22 de junho, colocou o Paraguai no centro das atenções diplomáticas de toda a região. A maior parte dos países sul-americanos se pronunciou de forma inequívoca contra a maneira pela qual o processo de impeachment foi conduzido pelo parlamento paraguaio.
O principal argumento é que se tratou de um rito sumário, restringindo a possibilidade de defesa do ex-presidente, o que teria resultado numa espécie de “golpe parlamentar”, para usar uma expressão atribuída ao próprio Fernando Lugo.
Esse foi o primeiro impeachment e, possivelmente, não será o último na história política paraguaia. Aliás, é bom lembrar que o processo de democratização do Paraguai, após a longa ditadura de 35 anos do regime do general Alfredo Stroessner, foi caracterizada por uma tumultuosa ação política, na qual não faltaram acusações de corrupção no alto escalão, tentativas de golpe militar, assassinato de um vice-presidente, processo de impeachment e renúncia presidencial. Portanto, talvez a característica mais forte da política paraguaia seja a instabilidade institucional.
Fernando Lugo, ex-bispo da Igreja Católica, venceu as eleições gerais e assumiu a presidência em 2008. Na época, sua vitória foi festejada por amplos setores sociais paraguaios, principalmente entre os mais pobres, que viam nele a concreta possibilidade de mudança social e renovação política.
Para muitos, o fato de ter derrotado o tradicional Partido Colorado, que já governava o país há mais de sessenta anos, foi um sinal alvissareiro, que indicava o início de uma nova era para o país.
Todavia, do ponto de vista político, um fato que não escapou aos analistas mais atentos da política paraguaia de então, foi que Lugo venceu a eleição para o Executivo mas não conseguiu emplacar uma vitória mínima no parlamento. A base de sustentação do novo governo no legislativo foi irrisória, sinalizando que não seria nada fácil governar o país e, principalmente, cumprir as promessas feitas aos paraguaios durante a campanha eleitoral. 
 monsanto golpe paraguai 280612 bira humor politico Golpe do Paraguai tem nome: Monsanto
Não é necessário ser um cientista político para entender que o maior desafio de sua gestão foi, sem dúvida, governar tendo à disposição uma minoria parlamentar. Efetivamente, o ex-bispo, um iniciante no mundo da política partidária, não conseguiu reunir condições de sustentabilidade para o seu governo, nem no parlamento e nem tampouco junto aos movimentos sociais.
É relevante notar que o seu maior apoio político veio de fora do país. Para muitos, a vitória eleitoral de Lugo sinalizava o alinhamento do Paraguai aos países governados por presidentes considerados de “esquerda”, como Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa e Luiz Inácio Lula da Silva.
O governo Lugo terminou com considerável apoio externo, mas sem suporte político em seu próprio país. Muito pouco das suas promessas de campanha foram cumpridas e o seu governo, em termos políticos, foi um desastre. A pressa com que Fernando Lugo foi julgado e condenado talvez se deva exatamente ao receio de uma coalização de fora que faria muito para impedir sua queda. 



* Professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Filme Cidadão Kane


Confira o clássico filme Cidadão Kane (1941) - Legendado- Filme completo




Baseado na vida do magnata das comunicações William Randolph Hearst, conhecemos a história de Charles Foster Kane, o homem que construiu um império a partir do nada, mas que vivia uma vida pessoal extremamente ruim. Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro, é considerado um dos filmes mais importantes da história. Este filme é de domínio público.


 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Pio Penna Filho comenta a situação atual do Sudão do Sul


Um País Esquecido
 
Pio Penna Filho

Em menos de um mês o Sudão do Sul completará um ano de existência como país soberano e reconhecido pela comunidade internacional. Trata-se do quinquagésimo quarto Estado africano e um dos mais pobres países do mundo. A expectativa inicial de que o surgimento desse novo Estado, criado a partir do desmembramento do Sudão, traria paz e estabilidade para a região, infelizmente não se concretizou. Hoje, o país vive uma guerra não declarada com o Sudão, o que torna ainda mais difícil sua estruturação.
Durante esse primeiro ano de existência muitas negociações envolvendo os governos do Sudão do Sul e do Sudão foram frustradas, apesar da boa vontade e do envolvimento da comunidade internacional e da União Africana que buscaram criar mecanismos para o convívio mais harmônico entre os dois países.
A criação do Sudão do Sul ocorreu após uma longa e desgastante guerra que durou mais de duas décadas e que envolveu o norte e o sul do Sudão. Havia uma aspiração antiga por parte de setores expressivos das sociedades que habitam o sul do Sudão pela criação de um novo estado, uma vez que as diferenças entre o norte e o sul são antigas e profundas. Vão de diferenças étnicas e religiosas, com o norte sendo predominantemente muçulmano e o sul, cristão e animista, a perspectivas políticas diferenciadas.
Em termos econômicos o Sudão do Sul é muito dependente da exploração de petróleo, de forma que 98% das receitas do Estado provem do hidrocarboneto, que é integralmente exportado pelos oleodutos do Sudão. E como agravante o país possui apenas as reservas, sem dominar sequer o processo de extração e nenhuma via de escoação da produção. Em contraste, mais de 85% da população do novo país ganha a vida em atividades ligadas à agricultura, predominando a atividade de subsistência.
O principal parceiro econômico e comercial do Sudão do Sul, mas também o seu principal inimigo, é o Sudão. Aliás, a dependência é mútua, uma vez que no processo de divisão a maior parte das reservas petrolíferas ficaram com o Sudão do Sul. Todavia, como salientado, a única via de escoação se dá pelo território, pelos oleodutos e pelo porto do Sudão, que naturalmente cobra por sua utilização.
 
São grandes os desafios das autoridades do novo país. Enquanto os governos do Sudão do Sul e do Sudão não encontrarem uma via de convivência pacífica, muito pouco pode ser feito. A paz é condição essencial para que haja uma chance de sobrevivência digna do novo país.
Sem a paz será inviável para o governo conseguir promover uma diversificação econômica capaz de gerar emprego e renda para a sua população. Não é possível manter o elevado grau de dependência com relação ao petróleo e nem tampouco exaurir os parcos recursos do Estado na compra de armamentos e manutenção de uma força militar.
Enfim, as perspectivas atuais não são nada boas para o regime do presidente Salva Kiir Mayardit. O Sudão do Sul necessita de um apoio internacional mais propositivo, que deveria começar pelo maior envolvimento dos Estados africanos, que podem e devem atuar por meio da União Africana. Se os africanos e o mundo insistirem em manter o descaso com relação ao povo sul-sudanês, teremos tudo para muito em breve incluir o Sudão do Sul no rol dos conflitos esquecidos.
__________________
Professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Saiba mais sobre o conceito de cidadania

Professor comenta  a questão do exercício da cidadania no Brasil


Vídeo Aula - Atualidades - Cidadania - Concurso Banco do Brasil - Profº Paulo Sérgio.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Filme brasileiro que retrata a cultura sertaneja e processo da oralidade histórica


 
Filme brasileiro que retrata a cultura sertaneja e processo da oralidade histórica


 
O filme conta a história da pequena cidade de Javé, que será submersa pelas águas de uma represa. Seus moradores não serão indenizados e não foram sequer notificados porque não possuem registros nem documentos das terras. Inconformados, descobrem que o local poderia ser preservado se tivesse um patrimônio histórico de valor comprovado em "documento científico". Decidem então escrever a história da cidade - mas poucos sabem ler e só um morador, o carteiro, sabe escrever.
Uma pequena comunidade pobre chamada Javé está sob ameaça de ser inundada por uma nova barragem que está sendo construída, e a única maneira de evitar isso é para provar o valor histórico da cidade. Como a maioria dos habitantes é analfabeta, eles não têm escolha a não ser pedir a ajuda de Antônio Biá, um homem que foi condenado ao ostracismo desde que foi descoberto que  tinha enviado cartas com mentiras sobre sua reputação como uma forma de manter seu trabalho em um escritório de Javé, agora tem a tarefa de documentar as memórias das pessoas de como a cidade foi fundada, no entanto, cada habitante tem a sua própria versão do que aconteceu.

Uma pequena comunidade pobre chamada Javé está sob ameaça de ser inundada por uma nova barragem que está sendo construída, e a única maneira de evitar isso é para provar o valor histórico da cidade. Como a maioria dos habitantes é analfabeta, eles não têm escolha a não ser pedir a ajuda de Antônio Biá, um homem que foi condenado ao ostracismo desde que foi descoberto que  tinha enviado cartas com mentiras sobre sua reputação como uma forma de manter seu trabalho em um escritório de Javé, agora tem a tarefa de documentar as memórias das pessoas de como a cidade foi fundada, no entanto, cada habitante tem a sua própria versão do que aconteceu.

Saiba mais sobre o positivismo

 
Saiba mais sobre o positivismo.




Auguste Comte e o Positivismo.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Saiba mais sobre o conceito de cultura


Professor Heitor faz uma abordagem acerca do conceito de Cultura

 
Oficina do Estudante apresenta dica de Sociologia com o professor Heitor Sayeg sobre o Conceito de Cultura.

domingo, 3 de junho de 2012

Questões étnico-raciais e as relações de gênero


CNDL
SOCIOLOGIA
Terceiro Ano
Unidade 3
Questões étnico-raciais e as relações de gênero
Teste seus conhecimentos

1. (PITÁGORAS) Leia o fragmento a seguir.
     “Ao afirmar que “o pessoal é político”, o feminismo trás para o espaço da discussão política as questões até então vistas e tratadas como específicas do privado, quebrando a dicotomia público-privado base de todo o pensamento liberal sobre as especificidades da política e do poder político. O movimento ressignificou o poder político e a forma de entender a política ao colocar novos espaços no privado e no domestico. Sua força está em recolocar a forma de entender a política e o poder, de questionar o conteúdo formal que se atribuiu ao poder a as formas em que é exercido. Distingue-se dos outros movimentos de mulheres por defender os interesses de gênero das mulheres, por questionar  os sistemas culturais e políticos construídos a partir dos papeis de gênero historicamente atribuídos às mulheres, pela definição da sua autonomia em relação a outros movimentos, organizações e o Estado e pelo princípio organizativo da horizontalidade, isto é, da não  existência de esferas de decisões hierarquizadas ( Alvarez,1990:23).”
Ana Alice Alcântara Costa (“O movimento feminista no Brasil: dinâmicas de uma intervenção política”, publicado em 2005,Revistas Labrys).

Assinale a alternativa que EXPRESSA, através de um provérbio popular, um endosso à separação entre o espaço público e o espaço privado.
a) em terra de cegos quem tem olho é rei.
b) em casa de ferreiro, espeto é de pau.
c) em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher.
d) Escada se varre de cima pra baixo.
e) Em Roma, como os romanos.

resposta:[C]

2. (Unioeste 2011)  “Na segunda metade do século XX, a tendência à superação das ideias racistas permitiu que diferentes povos e culturas fossem percebidos a partir de suas especificidades. Grupos de negros pressionaram pela adoção de medidas legais que garantissem a eles igualdade de condições e combatessem a segregação racial. Chegamos então ao ponto em que nos encontramos, tendo que tirar o atraso de décadas de descaso por assuntos referentes à África”.

Marina de Mello e Souza. A descoberta da África. RHBN, ano 4, n. 38, novembro de 2008, p.72-75.

A partir deste texto e do conhecimento da sociologia a respeito da questão racial em nosso país, é possível afirma que
a) autores como Gilberto Freyre, Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Darcy Ribeiro, entre outros tantos autores, são importantes por chamarem a atenção do país para o papel dos negros na construção do Brasil e da brasilidade, e as formas de exclusão explícitas e implícitas que sofreram. 
b) apesar de relevante a luta contra o preconceito racial, o estudo da África só diria respeito ao conhecimento do passado, do período do Descobrimento do Brasil até a abolição da escravidão entre nós. 
c) estudar a África só nos indicaria a captura e a escravidão de diferentes povos africanos, tendo em vista que raça e o racismo são categorias ideológicas as quais servem para encobrir as fortes tensões sociais existentes entre a imensa classe de pobres e o seu oposto a dos ricos. 
d) a autora quer dizer que devemos hoje operar cada vez mais com categorias tais como a especificidade da raça negra, da raça branca, da raça amarela e outras mais. 
e) nenhuma das alternativas está correta. 


Resposta:[D]

Somente a alternativa [D] está correta. O estudo da África passou a fazer sentido quando o racismo e as ideias de raça deixaram de fazer parte da linguagem científica, sendo considerados como mera construção ideológica.

3. (UEL 2012) No debate sobre as cotas para o ingresso dos negros nas universidades públicas, reapareceram, de forma recorrente, argumentos favoráveis e contrários à adoção dessa política afirmativa. Os trechos reproduzidos a seguir constituem exemplos desses argumentos. Em um país onde a maioria do povo se vê misturada, como combater as desigualdades com base em uma interpretação do Brasil dividido em “negros” e “brancos”? Depois de divididos, poderão então lutar entre si por cotas, não pelos direitos universais, mas por migalhas que sobraram do banquete que continuará sendo servido à elite. Assim sendo, o foco na renda parece atender mais à questão racial e não introduzir injustiça horizontal, ou seja, tratamento diferenciado de iguais.

(Adaptado de: Yvonne Maggie (Antropóloga da UFRJ). O Estado de São Paulo. 7 mar. 2010. Este artigo de Yvonne Maggie serviu de base para o seu pronunciamento lido por George Zarur na audiência pública sobre ações afirmativas convocada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em março de 2010.)


Desde 1996 me posicionei a favor de ações afirmativas para negros na sociedade brasileira. Vieram as cotas e as apoiei, como continuo fazendo, porque acho que vão na direção certa – incluir socialmente os setores menos competitivos – embora saiba que o problema é muito maior e mais amplo. Tenho apoiado todas as medidas que diminuam a pobreza ou favoreçam a mobilidade social e todas as que combatam diretamente as discriminações raciais e a propagação dos preconceitos raciais. Em curto prazo, funcionam as políticas de ação afirmativa; em longo prazo, funcionam políticas que efetivamente universalizem o acesso a bens e serviços.

(Antônio Sérgio Guimarães (Sociólogo da USP)

Entrevista concedida à Ação Educativa. Disponível em:. Acesso em: 30 jun. 2011.)


Resposta esperada:
Espera-se que o candidato analise as políticas brasileiras de ação afirmativa, no caso, a política de cotas para negros nas universidades, a partir das teorias de Freyre e de Fernandes (sabendo-se que esses autores não se debruçaram sobre a questão das cotas), comparando-as, dessa forma, aos argumentos favoráveis e desfavoráveis presentes nos textos lidos na questão. Espera-se, além disso, que o candidato seja capaz de mobilizar conceitos, tais como: raça, cor, desigualdade, diversidade, miscigenação e democracia racial.



4. (PITÁGORAS) Uma das demandas de movimentos contemporâneos por igualdade de direitos é a superação de preconceitos inscritos em expressões de fala do nosso cotidiano.
Assinale, dentre as frases a seguir, aquela que NÃO expressa a naturalização de preconceitos ou subordinação de pessoas de acordo com sua cor/raça, gênero ou classe.
a) "Mulher no volante, perigo constante".
b) "O homem veio do macaco".
c) "Bom dia para todos e para todas".
d) "A mulher foi feita a partir da costela do homem".
e) "Aquele lugar só é frequentado por gente 'feia'".

Resposta:[C]



5. (PITÁGORAS) Desde o ano de 1991 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística vem se utilizando das seguintes opções de classificação racial para identificar seus entrevistados: branco, pardo, preto, amarelo e indígena.
Dentre as classificações a seguir, assinale aquela que INDICA quais tipos de características que estão incluídas nessa classificação.
a) Raciais e de cor.
b) Raciais, de cor e de nacionalidade.
c) Raciais, de cor e étnicas.
d) De cor, étnicas e de gênero.
e) De cor, étnicas e de nacionalidade.

resposta:[A]



6. (PITÁGORAS) Assinale a alternativa que APRESENTA os principais grupos (ou matrizes) raciais que compõem o "brasileiro", de acordo com Gilberto Freyre.
a) Português, indígena e negro.
b) Mouro, indígena e africano.
c) Português, mouro e indígena.
d) Negro, indígena e europeu.
e) Português, inglês e negro.

resposta:[A]

7. (PITÁGORAS) Leia o trecho a seguir.
Em 1949, a francesa Simone de Beauvoir faria publicar o seu livro O segundo sexo. Em passagem célebre, a autora aponta que não são características naturais que conformam as nossas identidades de gênero na sociedade. “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”.
Vale a pena refletirmos acerca dos elementos que nos diferenciam enquanto homens e mulheres. Segundo esta autora, os diferenciais de gênero tem muito mais amparo na cultura do que na natureza. É a nossa formação social, tanto em casa quanto na escola e na rua, que nos ensina a nos diferenciarmos enquanto mulheres ou homens. Aprendemos quais roupas devemos vestir, quais cores gostar, quais atividades nos são mais próprias. Enfim, é a sociedade e não a natureza que estabelece as diferenças de gênero.
O senso comum, no entanto, fornece-nos uma explicação distinta para as diferenças entre homens e mulheres. É muito habitual que as pessoas utilizem de raciocínios de ordem biológica ou natural para formular os diferenciais de gênero.
Assinale a alternativa onde se pode RECONHECER um raciocínio de ordem cultural, tal qual vimos expresso na frase de Simone de Beauvoir.
a) As mulheres são o sexo-frágil e por isso precisam ser protegidas pelos homens. Homens são mais fortes física e emocionalmente.
b) Cuidar dos filhos é tarefa primordial das mulheres. Elas ficam grávidas, os homens não. Apenas eles devem trabalhar fora de casa.
c) Os homens, mais fortes e decididos que são, devem ser os chefes da casa. As mulheres devem ser suas apoiadoras.
d) Ao incentivarmos meninos pequenos a brincarem de carrinho e de luta, e meninas a brincarem de boneca e de cozinha, estamos formando suas personalidades para a vida adulta.
e) As mulheres são mais aptas ao contato humano, ao cuidado inter-pessoal. Por isso vemos tantas enfermeiras mulheres, e não homens.


resposta:[D]




8. (PITÁGORAS) Assinale a alternativa que CARACTERIZA uma situação de diferenciais de renda entre homens e mulheres em uma dada sociedade.
a) Desigualdade de gênero.
b) Diferença de gênero.
c) Preconceito masculino.
d) Diferenciais de desigualdade.
e) Sexismo desigual.


resposta:[A]



9. (PITÁGORAS) Assinale a alternativa a seguir que melhor completa o texto que segue.
Um dos temas mais ricos da reflexão atual acerca das relações de gênero é a insuficiência do __________ homem/mulher. Segundo alguns autores e autoras, assistimos a um processo de______________ das identidades no mundo contemporâneo. Representativo disso é o fato de que___________ passaram a se preocupar mais com sua estética, assim como ___________ assumiram posições de poder e deixaram de se colocar como a parte frágil da sociedade. Além disso, alguns movimentos sociais tem recolocado demais identificações de gênero em um lugar de destaque nas reflexões contemporâneas. Os grupos GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transexuais), apesar das grandes barreiras ideológicas que enfrentam, tem conquistado um lugar de relevo na afirmação de suas identidades.

O tema citado que REFLETE a desconstrução das identidades na contemporaneidade é
a) conceito – desconstrução - as mulheres - os homens
b) ideal - reafirmação - os homens - as mulheres
c) binarismo – desconstrução - os homens - as mulheres
d) conceito - reafirmação - muitos - as pessoas
e) binarismo – reforço – os homens – não.


resposta:[C]


10. (PITÁGORAS) Leia o texto e identifique a alternativa que melhor responde à questão que o segue:

Um Brasil de cotas raciais?

[...]
“A maneira mais efetiva de reduzir as desigualdades sociais é pela generalização da educação basica de qualidade e pela abertura de bons postos de trabalho. Cotas raciais, mesmo se eficazmente implementadas, promoverão somente a ascensão social de um reduzido número de pessoas, não alterando os fatores mais profundos que determinam as iniquidades sociais.

[...]
Que Brasil queremos? Um país no qual as escolas eduquem as crianças pobres, independentemente da cor ou raça, dando-lhes oportunidade de ascensão social e econômica; no qual as universidades se preocupem em usar bem os recursos e formar bem os alunos. No caso do ensino superior, o melhor caminho é aumentar o número de vagas nas instituições públicas, ampliar os cursos noturnos, difundir os cursos de pré-vestibular para alunos carentes, implantar campus em áreas mais pobres, entre outras medidas. Devemos almejar um Brasil no qual ninguém seja discriminado, de forma positiva ou negativa, pelo cor ou raça: que se valorize a diversidade como um processo vivaz que deve permanecer livre de normas impostas pelo Estado a indivíduos que não necessariamente querem se definir segundo critérios raciais” (publicado em 14 de abril de 2006 no Correio Braziliense, de autoria de Marcos Chor Maio e Ricardo Ventura Santos – reproduzido na página 291 do livro Divisões perigosas, de Peter Fry e outros, editora Civilização brasileira, 2007).

Segundo a perspectiva dos autores, QUAL seria o provável efeito da utilização de cotas raciais para o enfrentamento das desigualdades sociais?

a) O rebaixamento da qualidade do ensino superior, assim como a racialização das identidades sociais.
b) A superação das desigualdades raciais, tal qual o abandono gradual de práticas de preconceito racial.
c) A continuidade das desigualdades sociais, apesar da diminuição das tensões racial-identitárias.
d) A superação das desigualdades raciais, assim como um aumento na escolaridade média do brasileiro.
e) A continuidade das desigualdades sociais, bem como a fixação arbitrária de identidades raciais.

resposta:[E]

11. (Unicentro 2012)  Considerando-se as teorias sociológicas a respeito das questões sobre gênero, assinale V nas afirmativas verdadeiras e F, nas falsas.

(  ) O termo gênero faz referência a uma construção cultural, enfatizando o caráter social e histórico das diferenças sexuais.
(    ) Vários elementos estão envolvidos na constituição das relações de gênero, tais como a organização política, econômica e social.
(  ) A referência a gênero leva a pensar nas maneiras como as sociedades entendem o que é “ser homem” e “ser mulher”, o que consideram “masculino” e “feminino”.
(   ) O termo gênero se refere às diferenças biológicas e naturais dos seres humanos.

A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a
a) F F V F   
b) V V V F   
c) V F F V   
d) F V V F   
e) V V V V  

 
Resposta:[B]

A questão apresenta uma série de afirmações a respeito do conceito de “gênero”. Este vem sendo utilizado em substituição à noção de “sexo”, dando ênfase às circunstâncias culturais, sociais e políticas que interferem na forma como a sociedade constrói e reconhece as identidades e os corpos das pessoas. Assim, somente a última afirmativa é falsa. É justamente contra a concepção de diferenças biológicas e naturais entre os seres humanos que o conceito de “gênero” é utilizado.  
  
12. (Unicentro 2012)  A suposição de que havia um consenso absoluto sobre a organização social e a vida cultural de cada tribo só era possível através da ideia que os administradores e cientistas europeus tinham da “tradição”. As sociedades “tribais” (ou “primitivas”) seriam, para eles, “sociedades tradicionais” — não só as regras de conduta eram pautadas rigidamente pelo costume, como esse costume era transmitido, oralmente e de forma imutável, de geração a geração, desde o princípio dos tempos. Os europeus não admitiam que os africanos pudessem refletir criticamente sobre a sua própria cultura”.

FIGUEIREDO, Fábio Baqueiro. História da África. Brasília: Ministério da Educação/Secretária de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade; Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais, 2010. 144. Disponível em: . Acesso em: 2 jul. 2011.

O texto pontua a construção do olhar europeu sobre a África, no período colonial.
A partir dos debates atuais sobre as relações étnicas no Brasil, identifique com V ou F, conforme sejam verdadeiras ou falsas as afirmativas sobre o texto.

(     ) O resultado sociopolítico dessa visão estereotipada ainda hoje pode ser observado em relação à população afro-brasileira.
(     ) Os conflitos raciais resultam de estereótipos sociais, e não de fatos científicos.
(     ) Um indivíduo etnocêntrico não tem capacidade de observar outras culturas nas próprias condições em que elas se mostram.

A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a
a) V V V   
b) F V V   
c) V F F   
d) F V F   
e) V V F   
 
Resposta:[A]

Todas as afirmações são corretas e estão de acordo com o texto do enunciado. O preconceito racial ainda tem grande influência na sociedade brasileira. Expressões como “isso é coisa de preto” e “neguinho” são correntemente utilizadas. Além disso, o etnocentrismo reforça as visões preconceituosas, que tendem a anular as especificidades culturais dos povos considerados inferiores.  

13. (Uem 2012)  Leia o texto a seguir e assinale o que for correto sobre o tema da diversidade étnica.

“[...] Na verdade, raça, no Brasil jamais foi um termo neutro; ao contrário, associou-se com frequência a uma imagem particular do país. Muitas vezes, na vertente mais negativa de finais do século XIX, a mestiçagem existente no país parecia atestar a falência da nação [...]”

(SCHWARCZ, Lilia Moritz. Nem preto nem branco, muito pelo contrário: cor e raça na intimidade. In: NOVAIS, Fernando & SCHWARCZ, Lilia Moritz (orgs.) História da Vida Privada no Brasil. Contrastes da intimidade contemporânea,. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 177).
01) Vigorou no Brasil, do século XIX, uma visão elitista que privilegiava a cor branca e via na mistura de raças a causa de seu atraso.   
02) Os termos raça e etnia se equivalem. Ambos fazem referência à composição de grupos de pessoas com características fisiológicas e biológicas comuns.   
04) Os estudos centrados na noção de raça classificam a humanidade por meio da seleção natural e da organização genética.   
08) Por ser o Brasil o país com o maior número de negros e afrodescendentes depois do continente africano, não é pertinente discutir no Brasil o racismo.   
16) Nas décadas seguintes à abolição da escravatura, a integração dos negros à sociedade brasileira foi marcada pela adoção de mecanismos de inclusão que resultaram, recentemente, na implantação das chamadas políticas de ação afirmativa.  
 
Resposta: 
01 + 04 = 05.

Excelente questão. O termo “raça” corresponde ao um conceito ideológico muito utilizado entre os séculos XIX e XX para diferenciar as populações por meio de critérios fenotípicos. Tal conceito caiu em desuso na medicina, por se demonstrar equivocado, mas continua presente no imaginário social. Sendo assim, a luta contra o racismo acontece colocando o termo em debate e demonstrando o quanto que ele carrega em si uma visão elitista e preconceituosa. Como nunca houve, no Brasil, políticas que impedissem a reprodução da pobreza da população de cor negra gerada pela escravidão, atualmente tem-se lutado pela implantação das políticas afirmativas.  


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
No Konso [Etiópia], o homem carrega água apenas nas duas ou três semanas subsequentes ao nascimento de seu bebê. Garotos pequenos pegam água também, mas apenas até os 7 ou 8 anos. Essa regra é seguida à risca – por homens e mulheres. “Se garotos mais velhos carregam água, as pessoas começam a fofocar que a mãe deles é preguiçosa”, diz Aylito. A reputação de uma mulher do Konso, diz ela, assenta-se no trabalho duro. “Se eu ficar sentada em casa e não fizer nada, ninguém vai gostar de mim. Mas, se eu correr para cima e para baixo com 45 litros de água, eles dirão que sou uma mulher sábia que trabalha duro”. Lemeta, tímido, para na casa de Aylito Binayo e pede permissão ao marido dela, Guyo Jalto, para checar seus galões. Jalto leva-o até a palhoça onde eles são guardados. Lemeta abre a tampa de um deles e cheira, balançando a cabeça em aprovação – a família está usando WaterGuard, um aditivo à base de cloro. Uma tampinha cheia do produto purifica um galão de água. O governo passou a distribuir WaterGuard logo no começo da mais recente epidemia de diarreia. Lemeta também verifica se a família possui uma latrina e fala aos moradores sobre as vantagens de ferver a água de beber, lavar as mãos e banhar-se duas vezes por semana.

(Adaptado de: ROSENBERG, Tina. O fardo da sede. Revista National Geographic. ed.121, 2010. Disponível em: . Acesso em: 3 ago. 2011.)


14. (Uel 2012)  Com base no texto e nos conhecimentos antropológicos e sociológicos sobre a questão de gênero, considere as afirmativas a seguir.

I. As hierarquias de gênero têm por base material a divisão sexual do trabalho determinada pelas diferenças percebidas culturalmente.
II. As diferentes sociedades históricas organizam a divisão sexual do trabalho de acordo com um modelo igualitário uniforme entre homens e mulheres.
III. Os países definidos como menos desenvolvidos, por se encontrarem excluídos do processo de globalização, preservam a divisão sexual do trabalho.
IV. A existência de atribuições que norteiam “à risca” o comportamento de homens e mulheres em um determinado coletivo pode ser tomada como uma instituição social.

Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e IV são corretas.   
b) Somente as afirmativas II e III são corretas.   
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.   
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.   
e) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas.   
 
Resposta:[A]

Ainda que sejam diferenças percebidas simbolicamente, as hierarquias de gênero sempre possuem uma relação de base material com a divisão do trabalho. Também se deve considerar que uma instituição pode ser definida sociologicamente como um modelo de conduta que é cristalizado, reconhecível e replicado por todo um grupo social. Vale ressaltar que a divisão sexual do trabalho não é igualitária, tampouco característica somente de países menos desenvolvidos. Desta maneira, somente as afirmativas I e IV estão corretas.  


15. (Unicentro 2011) 


— Diga lá, menina, o que é que você quer ser quando crescer?
Eu quero ser dona de casa atuante ou mulher de milionário.
Dona de casa atuante ou mulher de milionário.

(Jorge Ben Jor).

Na estrofe da letra de Jorge Ben Jor e na imagem acima, pode-se observar um modelo de socialização da mulher, em que a imitação torna-se um ótimo momento de interação infantil de gênero. Sobre as relações de gênero, é correto afirmar:
a) O conceito de gênero se refere às condições de origem psicológicas e biológicas.   
b) A discussão sobre a violência doméstica não deve entrar em pauta nas discussões sobre gênero.   
c) A desigualdade entre homens e mulheres é historicamente construída, ou seja, não é uma desigualdade natural.   
d) A discussão sobre a identidade corporal e a sexualidade feminina não fazem parte das análises sobre questões de gênero.   
e) A visão feminina é constantemente romântica, e, por isso, deve-se ater ao direito à maternidade, mas não à igualdade de condições no trabalho.   

 
Resposta:[C]

As concepções de gênero são as formas como a sociedade compreende a diversidade anatômica e afetiva dos seres humanos e relaciona-a com os papéis sociais dos indivíduos e dos grupos sociais. Por isso que na sociologia as desigualdades resultantes dessas concepções são consideradas construções sociais, historicamente e socialmente constituídas.  

  
16. (Uel 2011)  Leia o texto a seguir, que remete ao debate sobre questões de gênero.

                A violência contra a mulher acontece cotidianamente e nem sempre ganha destaque na imprensa, afirmou a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire [...]. “Quando surgem casos, principalmente com pessoas famosas, que chegam aos jornais, é que a sociedade efetivamente se dá conta de que aquilo acontece cotidianamente e não sai nos jornais. As mulheres são violentadas, são subjugadas cotidianamente [...]”, afirmou a ministra. [...] “Eliza morreu porque contrariou um homem que achou que lhe deveria impor um castigo. Ela morreu como morrem tantas outras quando rompem relacionamentos violentos”, disse a ministra.

(“Violência contra as mulheres é diária”, diz ministra, Agência Brasil, Brasília, 11 jul. 2010.)

Com base no texto e nos conhecimentos socioantropológicos sobre o tema, é correto afirmar:
a) Questões de gênero são definidas a partir da classe social, razão pela qual são mais presentes nas camadas populares do que entre as elites.   
b) As identidades sociais masculina e feminina são configuradas a partir de características biológicas imutáveis presentes em cada um.   
c) As diferenças de gênero são determinadas no terreno econômico, daí o fato de serem produto da sociedade capitalista.   
d) As experiências socialistas do século XX demonstram que nelas as questões de gênero são resolvidas de modo a estabelecer a igualdade real entre homens e mulheres.   
e) As relações de gênero são construídas socialmente e favorecem, nas condições históricas atuais, a dominação masculina.   

 
Resposta:[E]

A violência contra a mulher denuncia as contradições da sociedade atual em seus diversos níveis de relações, ao mesmo tempo em que aponta para a incompatibilidade das formas de organização do poder patriarcal e de dominação masculina, que é, muitas vezes, autoritária. Isto não deveria mais ocorrer em uma sociedade plural e complexa, já que as transformações sociais não param.  
  
17. (Uem 2011)  “O ‘homem feminino’ era uma espécie de náufrago chegando a uma ilha deserta e tentando se adaptar às condições de vida do lugar. Ele não escolheu estar ali. Não preparou seu espírito para mudar de vida. Não esqueceu as facilidades e o conforto do lugar onde morava. Mas como vinha questionando a validade de viver para o trabalho, estressado, viu no naufrágio uma oportunidade de experimentar a novidade”.

OLIVEIRA, Malu. Homem e mulher a caminho do século XXI. São Paulo: Ática, 1997, p. 67.

Considerando o texto e o tema instituições sociais e as relações entre indivíduo e sociedade, assinale o que for correto.
01) As ciências sociais consideram que as diferenças de comportamento existentes entre homens e mulheres, em relação aos seus papéis familiares, são decorrentes das diferenças anatômicas e fisiológicas existentes entre os sexos.   
02) Alguns dos principais movimentos sociais contemporâneos problematizam e questionam os modelos hegemônicos de masculinidade e feminilidade heterossexuais como única forma legítima de conformação das identidades e comportamentos sexuais.   
04) Os movimentos pela igualdade entre os gêneros, originados no início do século XX, foram organizados por grupos sociais que lutavam, simultaneamente, pelo reconhecimento do papel público das mulheres e pelos direitos à vida familiar e doméstica dos homens.   
08) Os estudos de gênero apontam que valores, como força, coragem e ousadia, associados ao mundo masculino, bem como as concepções de delicadeza, timidez e fragilidade, relacionadas aos conceitos de feminino, são construções simbólicas e sociais que podem ser apropriadas das mais diversas maneiras pelos homens e pelas mulheres.   
16) O avanço feminista do século XX alterou radicalmente a posição das mulheres no mundo público e privado, mas não afetou significativamente a identidade masculina. 

  
Resposta:
 02 + 08 = 10.

Os movimentos sociais contemporâneos se diferenciam dos tradicionais porque apresentam projetos voltados para a organização autônoma dos diversos segmentos sociais, o que evidencia uma visão de mundo de respeito à diversidade entre os grupos e as classes. O texto de Malu Oliveira nos ensina que práticas consideradas eminentemente femininas podem, no lado masculino, ser a afirmação de novas formas de vida, de uma nova cultura como parte fundamental de uma nova sociedade.  
  
18. (Ueg 2011)  “A respeito do moderno papel político-social da mulher, li preciosas observações da escritora e professora Rosiska Darcy de Oliveira. Ela entende que se reencena, hoje, o desafio de Antígona e Creonte. E que, no espelho de Antígona, as mulheres agora descobrem um rosto arquetípico. ‘A frágil princesa tebana que, afirmando lei própria, negou a autoridade do rei, volta ao proscênio, viva, e acena às novas gerações’. E continua ela: ‘O desafio deste século 21 será o equilíbrio entre homens e mulheres na partilha do poder, no compartilhamento da decisão dos destinos coletivos e o próprio equilíbrio entre homens e mulheres na partilha da vida em comum’”.

ROCHA, Hélio. A partilha homem-mulher. In: O Popular, Goiânia, 10 jul. 2010, p. 10. (Memorandum).

Tendo em vista a análise do texto acima, conclui-se que
a) a discriminação salarial contra a mulher já faz parte do passado. Atualmente, ela é considerada uma trabalhadora complementar ao seu pai ou marido, sendo socialmente coagida a aceitar pagamento inferior por um trabalho que, por isso mesmo, é rapidamente abandonado pelos homens.   
b) ao negar a autoridade do rei, Antígona estabelece para sempre a superioridade da mulher sobre os homens, assegurando direitos iguais para ambos os sexos, libertando a mulher da sujeição ao comportamento masculino.   
c) as mulheres vêm assegurando em números crescentes grau de escolaridade em campos tradicionalmente dominados por homens, bem como visíveis sinais de crescimento de participação na política, além da redução da discriminação contra as mulheres em empregos operários.   
d) o gênero é uma diferenciação entre homens e mulheres em termos de características culturalmente definidas na sociedade. A estratificação baseada no gênero ocorre quando os homens e as mulheres, em uma sociedade, recebem parcelas iguais de dinheiro, poder, prestígio e outros recursos.   

 
Resposta:[C]

O texto exige do aluno uma reflexão sobre o papel da mulher no mundo contemporâneo. Se antes as mulheres eram obrigadas a se submeterem aos desejos masculinos e a estarem fechadas no ambiente familiar, agora a mulher tem tido a liberdade e a vontade de buscar cada vez mais espaço no mundo público, no mercado de trabalho e em atribuições que antes eram de domínio puramente masculino. Não obstante essas conquistas, a mulher continua recebendo menos que os homens e ainda sofre com estigmas originários da mentalidade machista ainda presente no mundo atual.  

  
19. (Unicentro 2011)  As brincadeiras de menino, em geral, envolvem atividades ao ar livre, como bicicleta, pipa ou skate. As meninas brincam de casinha. Isso é comum porque, antigamente, era papel do homem sair de casa para trabalhar, enquanto às mulheres cabiam os cuidados com o lar”, constata a pedagoga Maria Angela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Cultura, Estudos e Pesquisas do Brincar da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

ECHEVERRIA, Malu. Brincadeira não tem sexo: meninos e meninas podem — e devem — brincar do que tiverem vontade. In: Revista Crescer. ed. 139, jun. 2005. [online] Disponível em: . Acesso em: 29 jan. 2009.

Sobre o processo de socialização e as relações de gênero, é correto afirmar:
a) O termo “sexo” distingue as diferenças anatômicas, e o termo “gênero”, as diferenças fisiológicas entre homens e mulheres.   
b) As relações de gênero são universais e não dependem da construção que cada cultura tem em relação às diferenças sexuais.   
c) O processo de socialização disciplina os corpos quanto aos modos de agir, porém esse aprendizado não interfere nos modos de ser dos sujeitos sociais.   
d) O gênero é uma construção social que, através de organismos sociais, como a família e a mídia, atribui papéis e identidades sociais a homens e mulheres.   
e) As brincadeiras de crianças, assim como o modo como se comportam, demonstram que os papéis sociais são definidos antes mesmo do encontro com as instituições sociais.   

 
Resposta:[D]

É de consenso nas ciências sociais considerar que o gênero é uma construção social que os indivíduos incorporam desde criança, quando são colocados em contato com as instituições sociais. É nessa socialização que os indivíduos apreendem os papéis sociais que cada gênero deve desempenhar na sociedade. Tais papéis são naturalizados e, assim, as pessoas passam a considerar que é “natural” que o homem vá trabalhar e a mulher fique em casa. Ainda que haja diferenças anatômicas entre homens e mulheres, tais diferenças não são suficientes para explicar as diferenças sociais entre gêneros.  
  
20. (Uel 2011)  No dia 16 de junho de 2010, o Senado brasileiro aprovou o Estatuto da Igualdade Racial.

                Os senadores [...] suprimiram do texto o termo “fortalecer a identidade negra”, sob o argumento de que não existe no país uma identidade negra [...]. “O que existe é uma identidade brasileira. Apesar de existentes, o preconceito e a discriminação não serviram para impedir a formação de uma sociedade plural, diversa e miscigenada”, defende o relatório de Demóstenes Torres.

(Folha.com. Cotidiano, 16 jun. 2010. Disponível em: . Acesso em: 16 jun. 2010.)

Com base no texto e nos conhecimentos atuais sobre a questão da identidade, é correto afirmar:
a) A identidade nacional brasileira é fruto de um processo histórico de realização da harmonia das relações sociais entre diferentes raças/etnias, por meio da miscigenação.   
b) A ideia de identidade nacional é um recurso discursivo desenraizado do terreno da cultura e da política, sendo sua base de preocupação a realização de interesses individuais e privados.   
c) Lutas identitárias são problemas típicos de países coloniais e de tradição escravista, motivo da sua ausência em países desenvolvidos como a Alemanha e a França.   
d) Embora pautadas na ação coletiva, as lutas identitárias, a exemplo dos partidos políticos, colocam em segundo plano o indivíduo e suas demandas imediatas.   
e) As identidades nacionais são construídas socialmente, com base nas relações de força desenvolvidas entre os grupos, com a tendência comum de eleger, como universais, as características dos dominantes.  

 
Resposta:[E]

O que torna o Brasil ser Brasil não são características ou padrões das classes dominantes, mas sua identidade multicultural; não somente do negro africano, mas de índios, europeus, asiáticos, árabes, entre outros. Essa miscigenação favorece o encontro de muitas culturas e acaba criando uma identidade que ainda luta contra a discriminação e o preconceito, estes ainda muito presentes.  
  
21. (Unicentro 2010)  “Quando se menciona o trabalho escravo no Brasil, a primeira lembrança é a da escravidão negra. Realmente, foi ela a mais marcante, a mais longa e terrível; mas o trabalho escravo se inicia no Brasil com a escravidão indígena”

(Tomazi, Nelson Dácio (coordenador). Iniciação à Sociologia. São Paulo: Atual, 2000, p.62).

Considerando a realidade estabelecida pela implantação do trabalho escravo dos negros africanos trazidos ao Brasil, assinale a alternativa incorreta.
a) As condições de vida dos escravos africanos eram terríveis, razão pela qual a média de vida útil deles não ultrapassava os quinze anos.   
b) Os negros africanos reagiram à escravidão das mais diversas formas: através das fugas, dos quilombos, da luta armada, da preservação dos cultos religiosos, da dança, da música.   
c) O negro é parte integrante da história brasileira, apesar dos muitos preconceitos que ainda persistem contra eles.   
d) O Brasil figura entre os primeiros países latino-americanos a declarar por meio de muitas leis, até a promulgação da lei áurea, a libertação de seus escravos.   
e) O fim do tráfico de escravos, no Brasil, ocorre em meados do século XIX, quando começam algumas experiências com a mão de obra assalariada de estrangeiros.   


 
Resposta:[D]

A alternativa [D] é a única incorreta. O Brasil foi um dos últimos países latino-americanos a promulgar a libertação dos escravos, que só ocorreu devido à chegada dos imigrantes estrangeiros e às pressões econômicas e políticas para que essa lei se concretizasse.  
  
22. (Ufu 2010)  O movimento negro no Brasil, embora exista de fato desde a Colônia, teve seus avanços reais constituídos em políticas públicas a partir dos anos 1990.

Sobre as bandeiras, ações afirmativas e conquistas deste movimento, é incorreto afirmar que:
a) tornaram possível a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas de ensino fundamental e médio.   
b) pretendem contribuir para diminuir a distância socioeconômica entre negros e brancos no Brasil e um dos mecanismos para que isso ocorra é a instituição de cotas para negros na universidade.   
c) relacionam-se a um movimento de políticas de identidade étnico-racial que denuncia a democracia racial brasileira como um mito.   
d) pretendem indenizar economicamente os descendentes de escravos negros no Brasil.  

 
Resposta:[D]

A alternativa D é a única incorreta porque a indenização econômica não faz parte das reivindicações do movimento negro brasileiro. Já as demais alternativas apontam corretamente os temas que estiveram na pauta deste movimento nos últimos anos. Alguns resultados já foram obtidos, como a entrada em vigor da Lei 10.639, em 2003, que prevê o ensino da história e da cultura afro-brasileira no ensino fundamental e médio (alternativa A). Outras questões ainda levam um tempo para serem plenamente satisfeitas, como a introdução de cotas para negros nas universidades (alternativa B), que, além de ser um mecanismo ainda polêmico - não foi adotado por todas as universidades, pois estas gozam da autonomia universitária e, portanto, não pode ser discutida uma lei que obrigue todas elas a adotar esta política –, depende do tempo de formação educacional e de conquistas profissionais para se verificar sua eficácia, isto é, se realmente promove uma diminuição na desigualdade entre negros e brancos. Para que as lutas do movimento negro sejam levadas a sério, entretanto, é necessário que se mude, no Brasil, a percepção de que vivemos numa democracia racial (alternativa C).  
  
23. (Udesc 2010)  No Jornal Folha de São Paulo do dia 30 de maio de 2010, ao comentar o futebol e o racismo no Brasil, o pesquisador Victor Andrade de Melo, coordenador do Laboratório de História e Esporte e Lazer da Universidade Federal do Rio de Janeiro, declarou que “O futebol não está além da sociedade, não está imune ao preconceito racial. Pode ser obliterado pelo racismo à brasileira, uma crença de que a miscigenação impede o racismo, o que na realidade só deixa mais difícil de ser combatido”.
Faça um comentário acerca da declaração, relacionando as formas pelas quais as escolas brasileiras podem combater esse racismo à brasileira citado pelo pesquisador Victor Andrade de Melo. 

 
Resposta:
 Sendo o racismo um problema tão incrustado na sociedade brasileira, a escola pública pode ser um local de tentativa de criação de uma mentalidade solidária e tolerante com relação à diferença. Ao colocar em contato crianças de classes sociais diferentes e de característica diferentes e mediante um projeto pedagógico que visa derrubar os preconceitos, a escola pode se tornar um local de socialização solidária para essas crianças.  

  
24. (Uenp 2010)  Do ponto de vista sociológico, no Brasil se constituiu sobre o mito da democracia racial principalmente depois da publicação de Casa grande e senzala de Gilberto Freyre (2003). De acordo com Florestan Fernandes (1965) o ideal de miscigenação fora difundido como mecanismo de absorção do mestiço não para a ascensão social do negro, mas para a hegemonia da classe dominante. O mito da democracia racial assentou-se sobre dois fundamentos: 1) o mito do bom senhor; 2) o mito do escravo submisso.
Analise as afirmações:

I. A crença no bom senhor exalta a vulgaridade das elites modernas, como diria Contardo Calligaris, e juntamente com uma espécie de pseudocordialidade seriam responsáveis pela manutenção e o aprofundamento das diferenças sociais.
II. O mito do escravo submisso fez com que a sociedade de um modo geral não encarasse de frente a violência da escravidão, fez com que os ouvidos se ensurdecessem aos clamores do movimento negro, por direitos e por justiça.
III. As proposições legislativas sobre a inclusão de negros vão desde o Projeto de Lei que reserva aos negros um percentual fixo de cargos da administração publica, aos que instituem cotas para negros nas universidades publicas e nos meios de comunicação.

Assinale a alternativa correta:
a) todas as afirmações são verdadeiras.   
b) apenas a afirmação II e verdadeira.   
c) as afirmações I e III são verdadeiras.   
d) as afirmações I e II são falsas.   
e) todas as afirmações são falsas.   

 
Resposta:[A]

Todas as afirmativas são verdadeiras. O mito da democracia racial é utilizado como uma forma de ocultar a dominação e a violência contra os negros que, desde o período colonial, existe no Brasil. Esse mito acaba por valorizar as elites brasileiras, criando uma mentalidade de cordialidade que explica de forma errônea a relação entre brancos e negros no país. Hoje existem propostas - como as cotas universitárias para estudantes negros – que visam diminuir e extinguir essa herança de desigualdade

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
No romance de Monteiro Lobato O Presidente Negro (1926), livro de ficção sobre os EUA, o personagem principal vê o futuro, o século XXI, ano de 2228, através de um porviroscópio, e tece algumas considerações sobre o estágio do choque das “raças” naquele contexto.
[...] Até essa época a população negra representava um sexto da população total do país. A predominância do branco era pois esmagadora e de molde a não arrastar o americano a ver no negro um perigo sério.
Mas com o proibicionismo coincidiu o surto das ideias eugenísticas de Francis Galton. As elites pensantes convenceram-se de que a restrição da natalidade se impunha por 1001 razões, resumíveis no velho truísmo: qualidade vale mais que quantidade. [...] Os brancos entraram a primar em qualidade, enquanto os negros persistiam em avultar em quantidade. [...] Mais tarde, quando a eugenia venceu em toda a linha e se criou o Ministério da Seleção Artificial, o surto negro já era imenso. [...] (Felizmente), muito cedo chegou o americano à conclusão de que os males do mundo vinham dos três pesos mortos que sobrecarregam a sociedade – o vadio, o doente e o pobre. Em vez de combater esses pesos mortos por meio do castigo, do remédio e da esmola, como se faz hoje, adotou solução mais inteligente: suprimi-los. A eugenia deu cabo do primeiro, a higiene do segundo e a eficiência do último.

(LOBATO, M. O Presidente Negro. São Paulo: Globo, 2008, p.97 e p.117, grifos do autor)


25. (Uel 2010)  Assinale a alternativa que contém a figura que representa o ideal de branqueamento no Brasil do final do século XIX. 

a) 
   
 Augustus Earle. Negros lutando. C. 1824, aquarela sb/papel 16,5 X 25 cm.


b)   
   
José Maria de Medeiros. Iracema, 1884, óleo sb/tela 168 X 255 cm.

c)   

 
 Modesto Brocos. A redenção de Can, 1895, óleo sb/tela 199 X 166 cm.

d) 

 

 Jean Baptiste Debret. O Jantar, 1835, litografia.

e)

 
 Senhora na liteira com dois escravos. Fotógrafo não identificado. Acervo Instituto Moreira Salles.

(Imagens extraídas de: ALMEIDA, H. B.; SZWAKO, J. E. Diferenças, Igualdade. São Paulo: Berlendis & Vertecchia, 2009, pp. 73, 76, 78, 86, 95.)   


 
Resposta:[C]

O ideal do branqueamento está expresso somente na alternativa [C]. Pode-se perceber uma variação ou uma gradação na pintura: a avó negra, a mãe mulata, o pai imigrante e, por último e ao centro, o filho branco. Assim, esperava-se que evoluísse a sociedade brasileira rumo ao progresso e ao desenvolvimento da raça.  


26. (PUC MG 2013) No PNAD (Pesquisa Nacional de Análise por Domicílio) do IBGE, realizada em 1976, foram registradas 136 cores que os brasileiros atribuíram a si mesmos numa verdadeira “aquarela do Brasil”, algumas apresentadas a seguir.



(Quadro adaptado de SCHWARCZ, Lilia Moritz. Racismo no Brasil. São Paulo: Publifolha, 2011. p.69-70.) 

Observando o quadro de cores e considerando seus conhecimentos históricos, assinale a afirmar CORRETA. 

a) A percepção de um senso comum sobre cor reforça a noção da miscigenação entre os grupos, voltada para um aspirado branqueamento. 
b) A indefinição de cor indica que o brasileiro não carrega a cor como um elemento de identidade étnica ou categoria social. 
c) O uso de expressões como pálida e retinta indica os extremos demonstrando uma ausência de preconceito em relação à cor. 
d) Laranja, lilás, vermelha e verde, que aparecem na listagem, registram o desconhecimento da população com relação às cores.



  resposta:[A]